A Covilhã é a cidade mais importante da
região da Serra da Estrela. Localizada apenas a 20 Km do
ponto mais alto de Portugal, a área onde hoje se localiza
a cidade era anteriormente usada como um refúgio de pastores
e um bastião romano conhecido como Cava Juliana ou Silia
Herminia. Hoje, localizada entre 450 e 800 metros de altitude,
a Covilhã tornou-se uma das mais importantes cidades de
Portugal com 45 000 habitantes.
Em 1186 o rei D. Sancho I tornou este bastião romano em cidade
cujo nome ficou Covilhã. Este mesmo rei foi o responsável
pela construção das muralhas do primeiro castelo da cidade.
Mais tarde, o rei D. Dinis mandou construir as muralhas de um importante
bairro medieval conhecido como Portas do Sol que pode ainda hoje ser
admirada na parte mais antiga da cidade.
Desde sempre esta cidade esteve ligada à indústria
dos lanifícios. Conhecida como a "Manchester Portuguesa",
a cidade manteve neste aspecto uma tradição de 800 anos
e ainda hoje produz material para grandes marcas como Hugo Boss, Armani,
Zenga, Marks and Spencer, Yves St. Laurent, Calvin Klein e Christian
Dior. Hoje em dia a produção é notável atingindo
os 40 000 Km de pano por ano.
A indústria na cidade teve início sobretudo devido
a duas ribeiras, a Carpinteira e a Degoldra, que atravessam a cidade
e permitem às fábricas utilizarem a sua energia hidráulica.
Por este motivo muitas fábricas da cidade loalizavam-se junto
a estes cursos de água. Podemos ainda encontrar nas margens da
Carpinteira vestígios da antiga fábrica- escola fundada
pelo conde da Ericeira em 1681 e junto à Degoldra a Real Fábrica
dos Panos fundada pelo Marquês de Pombal em 1763 e onde hoje se
localiza a Universidade da Beira Interior e o Museu de Lanifícios,
um dos melhores da Europa.
Neste museu podemos conhecer toda a história da indústria
de lanifícios na região. Criado com o objectivo de salvar
e restaurar a área que anteriormente pertenceu a uma das mais
importantes fábricas da Covilhã, o museu tem estado envolvido
em vários projectos que lhe permitiram adquirir importância
e prestígio a nível internacional.
Actualmente, sobretudo devido ao local onde se encontra, desempenha
um papel importante a nível cultural e pedagógico.
Com cerca de 14 000 estudantes, 5 500 dos quais universitários,
a cidade da Covilhã tem uma intensa vida nocturna pautada por
várias discotecas e bares espalhados por toda a cidade. Enquanto
visita a Covilhã pode disfrutar de várias actividades
preparadas pelas agências de turismo locais. Pode passear a cavalo
ou mesmo de balão ou helicóptero pela região ou
mesmo aprender a fazer sky ou a fazer escalada. Se preferir caminhar
também pode disfrutar do ar fresco da montanha nos caminhos preparados
para o efeito ou mesmo até ir a uma pista de karting. Hoje a
Covilhã e uma cidade cheia de vida, animada pelos grandes mercados
e feiras que se realizam quase todos os fins- de- semana.
Por estranho que possa parecer a Covilhã, apesar de não
estar geograficamente ligada ao mar, teve um papel muito importante
nos séculos XV e XVI quando teve início a expansão
marítima Portuguesa. Muitos dos homens que fizeram parte deste
ambicioso projecto, como o Infante D. Henrique, Pêro da Covilhã,
Pedro Álvares Cabral, Mestre José Vouzinho, Rui Faleiro
ou Francisco Faleiro, nasceram nesta região.
Hoje a Covilhã virou-se para outra actividade que não
a indústria de lanifícios. Devido à sua proximidade
à Serra da Estrela esta cidade tornou-se na principal escolha
dos turistas que a escolhem para pernoitar enquanto visitam a região.
Contudo, esta escolha não é apenas influenciada pela serra.
A Covilhã tem outro tipo de atractivos. Localiza-se no meio de
nove das dez vilas históricas portuguesas. Estas encontram-se
incluídas num programa de recuperação cujo principal
objectivo é proteger estas relíquias da época medieval.
A norte podemos encontrar as aldeias de Almeida, Linhares, Marialva,
Castelo Rodrigo e Castelo Mendo. A sul podemos visitar as aldeias de
Castelo Novo, Monsanto e Idanha-a -Velha e a este encontramos a bonita
aldeia de Sortelha. Em toda esta região pode ainda saborear deliciosas
especialidades da região tais como o cabrito assado, a truta
grelhada, o queijo da Serra da Estrela feito de leite de ovelha, o pão
centeio ou a tradicional sopa de feijão entre outras.
Um outro factor importante e o facto de esta cidade ter também
desenvolvido a produção de vinho, da Cova da Beira, e
de varias frutas como a cereja, o pêssego, a maçã
e a pêra.
odemos também encontrar na cidade várias casas de granito
e moinhos de água que se encontram em pequenas aldeias como Unhais
da Serra ou Paúl. São bastante notórias as influências
medievais que ainda se encontram presentes nas aldeias históricas
da região. Contudo também podemos detectar algumas influências
barrocas se, por exemplo, visitarmos a Igreja de Santiago e observarmos
a sua cúpula.
CASTELO
BRANCO
Castelo Branco é a capital da Beira Baixa. Construida
a 472 metros de altitude, no local onde existiu a velha cidade
romana de Castra Lenco, localiza-se entre os rios Ponsul e Ocreza.
Geograficamente, Castelo Branco localiza-se no meio de várias
serras como a Serra da Estrela, da Lousã, da Gardunha,
da Malcata,de Alvelos e de Murandal.
A cidade de Castelo Branco divide dois mundos distintos: o mundo
do granito e o mundo do xisto.
Apesar da existência de uma pequena comunidade na região
desde o século XII, foi apenas no século XIII que Castelo
Branco começou a desempenhar um papel importante a nível
nacional.
Podemos ainda encontrar na cidade ruínas de um velho castelo
templário. À volta deste castelo começou a crescer
uma pequena comunidade que se dedicava sobretudo ao cultivo da terra.
A maioria da área que na altura era usada para a agricultura
é ainda utilizada hoje para o mesmo efeito apesár de esta
já não ser a principal actividade.
De facto, têm sido feitas várias tentativas com o intuito
de promover o crescimento industrial da cidade através de apoio
financeiro às novas empresas. O principal objectivo económico
é a criação de várias pequenas e médias
empresas diversificadas ou investir no desenvolvimento da indústria
artesanal.
De inspiração oriental, um dos mais famosos produtos
de Castelo Branco são as colchas conhecidas desde o século
XVI. Semelhantes às colchas de Toledo e de Guadalupe, as colchas
de Castelo Branco sempre foram um importante símbolo da cidade
sendo, hoje em dia, bastante valiosas já que são uma arte
bastante peculiar com uma simbologia muito própria. .
GUARDA
Uma das cidades mais importantes da região da Beira Interior
é a Guarda. Localizada na zona norte da região,
na Beira Alta, a Guarda é a cidade que se encontra a maior
altitude no país alcançando os 1056 metros na Torre
de Menagem do Castelo.
Rodeada por várias e típicas cidades da região
como Celourico da Beira, Pinhel, Sabugal, Manteigas ou Belmonte,
a Guarda abrange uma área composta por 52 comunidades rurais
e 3 urbanas.
Como é a cidade mais elevada do país, a Guarda sempre
desempenhou um papel muito importante na sua defesa. Devido à
sua altitude é possível ter um domínio das margens
dos rios da região, como o Mondego ou o Côa.
Apesar de inicialmente o ambiente natural da região não
ser muito atractivo para a instalação de uma comunidade,
podemos hoje provar que a região tem sido habitada desde o fim
do período Neolítico. Um dos vestígios que nos
leva a esta conclusão é um monumento datado do III milénio
conhecido como Anta da Pêra do Moço.
Em toda a região podemos encontrar vestígios da Idade
do Bronze ou do Ferro. Estes vestígios encontram-se intimamente
relacionados com a extracção do ferro e do chumbo e com
o controle das portas naturais através das quais o minério
entrava no país.
Na Era Medieval, a Guarda foi uma das mais importantes fortificações
do país. Construída com o objectivo de defender a fronteira
com os reinos de Castela e Leão e proteger a entrada natural
através da Serra da Estrela.
A 27 de Novembro de 1199 o rei D.Sancho I apercebeu-se do papel importante
que a Guarda desempenhava na defesa e na protecção do
país e consequentemente a necessidade de criar um centro urbano
importante na região. A Guarda tornou-se então cidade
tendo em vista o seu desenvolvimento e a sua prosperidade.
A história da Guarda, como cidade, começou na Idade
Medieval com o início da nacionalidade portuguesa. Com o largamente
do território português até à zona do Mondego
e com a conquista de Coimbra, a coroa decidiu proteger estes novos territórios
de ataques estrangeiros. O rei apoiou então o estabelecimento
de várias comunidades em locais estratégicos para defender
as fronteiras do país. Assim, nasceu a cidade da Guarda.
Como outras cidades portuguesas medievais, a Guarda anda possui vestígios
visíveis da sua criação. Se visitar a cidade pode
encontrar vários vestígios medievais como as ruínas
da muralha original, as igrejas ou mesmo a Judiaria da Guarda que é
como um espelho do passado medieval da cidade.
Em 1260 já existiam várias igrejas no interior das
muralhas que ainda hoje podem ser visitadas. Se visitar a cidade pode
visitar as igrejas de S. Vicente, de Santa Maria Madalena e de S. Tiago
que são testemunhos claros do passado.
Do castelo da cidade pode-se ainda observar outras fortificações
medievais como o Castro do Jarmelo, Celourico da Beira, Trancoso, entre
muitas outras.
Mesmo no meio da cidade podemos encontrada a Sé Catedral,
uma das mais antigas e mais importantes igrejas da Guarda, construída
entre 1930 e 1540. Esta magnífica catedral localiza-se na Praça
Luís de Camões também conhecida como Praça
Velha. Esta zona é considerada já desde o século
XII, o coração da cidade.
Podemos ainda encontrar outras importantes atracções
turísticas que nos conduzem a uma viagem ao passado. Localizado
no antigo seminário da cidade podemos visitar o Museu da Guarda.
Lá podemos visitar várias salas cada uma das quais dedicada
a uma época histórica importante, como a Pré-História,
a Romanização, a Idade Média ou o Renascimento.
Podemos visitar ainda a sala de armas ou várias exposições
temporárias acerca de etnografia, pintura ou artesanato..
Um outro local interessante digno de uma visita é a Torre
dos Ferreiros onde podemos encontrar vestígios de uma muralha
do século XIII. Podemos ainda visitar a Torre de Menagem, o ultimo
vestígio do castelo da cidade, de onde podemos apreciar uma vista
magnífica da cidade, da serra e de todo o vale.
É ainda importante referir uma outra igreja da cidade muito
importante conhecida como igreja de S. Vicente. Esta igreja é
um templo barroco do século XIII onde podemos encontrar vários
painéis de azulejos que mostram aos visitantes a vida de Jesus.
A Guarda é uma típica cidade portuguesa onde podemos
encontrar uma saudável mistura entre passado e presente que vale
a pena conhecer.